Encontra-se na multidão, vazio e desolação
Ódio, incompreensão, vivendo em total harmonia
Andas o coração, em busca da companhia
Sangra, sangra, torturante.
Cansado de sair à procura
Quer se encontrar, na mentira amarga do olhar
Na boca do medo escarrar, lacerar às vísceras da ilusão
Fazendo seu "Concílio de Niceia" intrínseco
A o perdão, mesuras da ingratidão
Sangra, sangra, torturante.
Fragrância das flores mortas
Cadáveres absortos no ácido da maldade
Vociferas, na súplica incessante de ser ouvido
Abusas da condolência de outrora
Os poetas amargos, corroídos de dor, clemência agora
Sangra, sangra, torturante.
Vida banal, ditador marginal encara o mundo infernal
Só, na cadeira elétrica da vida imperial
Os últimos suspiros, a mente se liberta
A existência findou, sombra ceifou
Vida, vida, torturante.
—Myller Mayer