segunda-feira, 25 de junho de 2018

XX


Refletia a luz
Na retina,
Não saberias ele
Da inversão
Vindoura

Malícia
pudor,
Falta-lhe

Rabiscos
Parede
Desfruta-se

Afeto
Companhia
Abraços

Vento
Soprava
No entreter-se
Do orvalho

O início
Sereno
Dos pés
No asfalto
Enlevo
Estabacar e erguer-se

chegasteS
tempestade sórdidA
saudosista que éS
de fracO
se feZ

em razãO
sufocastes sem vivenciaR
amor ou paixãO

entendA
decisões equivocadaS
coagulam, a dor em sanguE

justiça, igualdadE
para que quereS?!
simplóriA

 existencialista, sentimentalistA
pedaço esquecidO
dos versoS,
em memóriA

perspectivas, o quartO
amputado, anestesiadO
retirai-me às córneaS
deixai o fígado e a bíliS
incendeia o âmagO,
de vazio ao pó se tornA.

idealizar
não é criar
obviedade
intransponível
revel

a flor
despedaçada
lembra-te

incompreendido
frágil
despreparado

o pulsar enérgico
torna-se
geleira em pranto

solitude
do filho único
solidão
fio da meada

intervenção cultural
seu lugar
no palco
protagonista
monólogo
surdos e mudos



—Myller Mayer

sábado, 23 de junho de 2018

Lobotomia

Entre as grades
 animal
Ferrugem
bramir
Enjaulado

Sentado na cabeceira
O gato
desordem
Abajur
O controle

Expressividade
Dicotômica
que nos
Envolve
Inconsciente

O crânio
gelo
martelo
O picador

Engenho de dentro
inspira
Adelina Gomes
expira
Nise

No Colônia
Grasnam
 Corpos
piedade
 indigentes

Folhas
história
Desbotadas
Em traças
atrocidades

A barca do sol
Sombras
Envolta
Deflagra
sanidade

—Myller Mayer

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Sem Faces


Curvas do esquecimento
estrada sem fim
Despenca do barranco
O rancor

Eis que observo
Da janela do cortiço
Ou seria palacete?

Explosão de cólera
 taça de palavras
Embriagadas
Na garganta

Estilhaços
Do eu
Navalham
Os olhares
Distantes
Indiferentes

Perpasso
Entre almas vazias
Embalsamadas de perfume
Corroídas
Sem pudor
Em maldade

De seus rostos gélidos
putrefaz
A última gota
De empatia
Escorrendo.

—Myller Mayer

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Cachos tão delicados



Refletindo o teu perfume
Sentindo os teus gestos
és bela
 sorriso tímido

Teus princípios
Encantam
O poeta

Afetuoso 
lhe beija
A face
Doce

Não és minha
Eterno
Silêncio
Não sois teu

Retumbante
Aos ouvidos amigos
Admiração
Lascívia
Emoção

Ahh Capitu!
Em seus olhos
Ciganos
O Universo
Intenso
de Machado

Gullar
Não pensara
Em deixar
subtendido

Moça branca
 como a neve
me leve

Leãozinho
De Caetano?
abstrato
Soar meu nome
Dos lábios
Cálidos

Nas curvas
Da tua
Estrada
Ausente

Estampada
Obviedade,
 me entrega
Excelsior
Teu carinho

Desperto
Vento frio
Fecho a janela
Coração.

—Myller Mayer