Da mancha no papel
Se fez frio o meu café
Inquietude e desalento
Se fez em vento
O pensamento.
De pachorra meu suplício
Se faz a tua moldura
Arcada dentaria
Se faz o gesso
A criatura.
Retorna o filho
pródigo
Para Rembrandt
a cova rasa.
Eis a genialidade
Vincent van Gogh
Feita de cabelos
No leito de morte
Anos a fio.
Fez
Florbela Espanca
36 vezes ensanguentada
Nos sonetos
Foi amada.
Fez
Poetisa marginal
O seu corpo se lançar
7 versos
No finito.
Goste ou não
Torquato sentiu
O sentir?
Asfixiado
No peito.
Hoje
Quem será?
Quiçá,
seja
EU.
—Myller Mayer