domingo, 2 de setembro de 2018

Pintura do Tempo


Da mancha no papel
Se fez frio o meu café
Inquietude e desalento
Se fez em vento
O pensamento.

De pachorra meu suplício
Se faz a tua moldura
Arcada dentaria
Se faz o gesso
A criatura.

 Eis que
 Retorna o filho pródigo
Para Rembrandt
a cova rasa.

Eis a genialidade
Vincent van Gogh
Feita de cabelos
No leito de morte
Anos a fio.

Fez
 Florbela Espanca
36 vezes ensanguentada
Nos sonetos
Foi amada.

Fez
Poetisa marginal
O seu corpo se lançar
7 versos
No finito.

Goste ou não
Torquato sentiu
O sentir?
Asfixiado
No peito.

Hoje
Quem será?
Quiçá,
seja
EU.

—Myller Mayer

sábado, 1 de setembro de 2018

Desinencial



(Eu) tomo arte

(Eu) como vida

(Eu) vivo tarde

(Eu) morro cedo

(Sou) despedida

(Sou) ilusão
 partida

(Sou)

sem

ser

Sujeito.

—Myller Mayer