quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Suplício Diário



Oceano de enganos, sortilégio de insanos
Face da tragédia, carnificina da comédia
Teatro de estranhos, universo de suburbanos
Sacrífico da cobardia, adolescência tardia.

Sorrisos  petrificados, falsos idolatrados
Veias arrebentadas, ideias acorrentadas
Estilhaços nos olhos, pedaços caindo dos terraços
Não chateias, volta para tua teia e me odeias.

Cruel, aniquila os sentimentos como papel
Saudade não faz parte da minha vaidade
 Romance de cordel, desmorona como a Torre de Babel
Bondade ouça a perversidade, maldade ouça a generosidade.

Render-se ao relés tumulo da ignorância
Atitude errônea da virtude, buscando plenitude
Erga-se, saindo da insignificância para alcançar a importância
Escute e mude, para o sucesso não existe altitude.

—Myller Mayer

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Simplismo


Felicidade, busca bondade
Consternação, quer destruição
Amor, busca rancor
Palavras, destruídas pelas larvas
Dor, vive no pavor
Pensamento, está em tratamento.

—Myller Mayer

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Perspectiva da Metamorfose

 


Máscaras de gesso quebradas no chão,
 face nua em exposição
Aberrações se encontram no vale das inquietações
Na calçada energia solta 
atingindo a população
Sangue mancha as mãos da indignação.

Governantes com dinheiro na suíça,
 vivendo na preguiça
Os filhos da pátria estuprados aos olhos da justiça
Os sinais cheios de fantasmas astrais
Crianças desamparadas,
 dormindo nas praças
Esmola no país da educação?
Claro que não, 
é ajuda de irmão,
"colaboração".

Companheiros de profissão: 
Bancos, governo e corrupção
Passam a perna no cidadão, 
paga imposto para ver desviado no "Mensalão"
Audacioso "Petrolão", 
a nossa nação é um grande circo de papelão.

Nem Hiroshima e Nagasaki viu tanta destruição
Se em Chernobyl ninguém pode viver,
 imagina no Brasil desigual
Lá acidente nuclear fatal,
 aqui
 "acidente de sufocar a moral".

Caminhando no pátio 
desse grande presídio individual
Onde vivemos com medo de morrermos
 pelas mãos de um marginal
Bandido na rua, bandido no governo,
 pútrido,
 que grande inferno interno.

Reféns do horror, 
lágrimas de dor
Escravos do sistema,
 "ordem e progresso" 
já virou foi tema de novela
Quem são os filhos da revolução?
 Onde se encontram?
Será que querem mudanças, 
ou só viverem na estagnação da esperança?
Lutamos juntos em prol de todos,
 ou definhamos sozinhos 
Perdidos no fundo desse precipício, 
grande sacrifício.

—Myller Mayer



sábado, 3 de outubro de 2015

Aniquilação Da Afeição


Sou um trivial poeta 
no meio da excreta
Fazendo "poeminhas"
 para ser desdenhado por "pessoinhas"
Andando no labirinto de sentimentos,
 aniquilando os firmamentos.

Sou Kamikaze de emoção, 
minha raiva entra em ebulição
Tanques destruindo a convicção,
 ilusão e encarcerando o coração
O silêncio vem como furacão, 
arrasando o que já foi dedicação.

Sou tédio no amanhecer,
 animação no entardecer 
e ódio no anoitecer
Paciência é pequena, 
acaba como primavera,
 meu olhar não mais te venera
Um dia foi deusa,
 hoje tenho certeza que não é  realeza
Talvez medusa,
 petrífica e usa, 
o holocausto te seduza.

Sou parvo em te dar amor e receber dor, 
grande perdedor
Lançado no poço do revés,
 extirpado pelo meu eu atordoado
Companhia você não queria,
 sorrisos de mentira, 
abraços de espantalho.

Sou lúgubre,
 jamais me perturbe,
 diamante bruto,
 insalubre.

Melhor assim, 
seguir sozinho o meu caminho,
 em busca da realização.

Consternado poderia ficar, 
mas  a minha euforia não quer autorizar
Refém das minhas vontades, 
prontidão para transmudar, 
reorganizar e perseverar.

Sou anacrônico, simplista.
 Não sou egoísta, nem fascista.
 Talvez altruísta, 
pessimista 
ou
 artista.

Ultrapassada ternura,
 chegou aglomerar simpatia,
 que sepultou 
com o esplandecer do dia
A aurora da minha presença, 
será esquivar-se
 sua existência.

—Myller Mayer