segunda-feira, 24 de abril de 2023

Brinde à mágoa

Reencarnar em vida:
cor,
crença
e amor.

Ansiar 
teus lábios
Morrer 
afogado 
Goethe e a sereia 
Equivocado.

Menestrel só
Curta
é a partida;
tez da manhã 
Advertida

No teu casulo;
fio de seda
Da pupa a mariposa;
alma fechada 
De asas abertas,
repousa.

Desatento olhar;
Camuflagem do ego
Mascarar.

Transformação;
Espiritualidade;
Adaptação.

Teus fios negros
escondem;
sinal de nascença 
Do seio ao pescoço 
revelam
descrença.

Estupidez 
é pensar
Sensatez
do sonhar.

O real é abstrato
Comunhão 
Sobre os teu pés:
primavera;
sol de verão.

Na fronte,
o beijo;
meu toque 
Gustav Klimt 
Imerecido.

Flores revestem;
sempre-nua
Modelam;
a meia-nau 
O preto
casual.

Quem se oculta
nada revela
Aniquila tentativas; 
insulta;
condena.

Fustigada
emoção 
Ao Atacama 
exilada.

Ermo em meus passos
Bares e risos
Leve, breve
Sinceros abraços.

Caminhada
desperdiçada
Existir é despedir.


—Myller Mayer

quarta-feira, 29 de março de 2023

Com Amor e Estima

De não sentir
invento o sonho
De não amar
sinto a dor

Recôndito
Ferido de corpo e alma;
frígido 
Retomo o meu lugar; 
misantropo

Vermes da carnificina
Meu âmago
Um jarro
Aziago 

Teu riso,
Corsário Negro;
neblina;
ilusão.

Convido a escuridão
O teu olhar
chamas.

Sonhos de uma noite de verão 
Suor
Comédia de Dante
A cama;
mente.

Duro é ser;
saber;
querer;
renascer;
para morrer.

Tu és 
pecado meu;
recordação 
Meu mal.

Sangue decantado
Pagão 
magoado 
Saint Graal 
aguilhoado

entornado

—Myller Mayer



domingo, 8 de janeiro de 2023

Órfão de Anteros

Exortar
Na ausência do tempo,
exíguo,
instante 
Sensorial aroma.

Michelangelo 
o teu ventre
esculpiu,
a criação 
Contemplada dor
Pietá
não contemplou
a flor.

Aos monstros oníricos,
redenção
Cortam-se os dedos;
a língua
Guilhotina 
Redoma minha.

Lacerante
como um punhal
Telúrica.

Renegue a Medusa
Não sou Perseu!
Alma confusa
no mar Egeu.

Taça de cicuta
Sentimento na garganta
A disputa
Abraços e fatos
Beijos e desejos
Guernica
Ilusão de Caravaggio
Amor Vincit Omnia.

Digerir ao âmago
A tradução
Amar?
A negação 
O meu náufrago .

Aos seres infelizes;
ímpares
Na Ausência
os pensares
Em mim
a meia-nau.

Fustigada sensação
palavras aprisionadas
Cancioneiro é a cigarra
dilacerando os dias chuvosos
Predatória paixão;
amordaçada.

Que ao tempo regresse 
Torturados
Na areia do Saara
Cobiçados
Ampulheta e os segredos
amparados

Eu vi Copérnico
arrebatado 
Com o teu sol,
a íris 
aficionado.

Errante 
Fata Morgana
anátema.

De Anteros
a solidão 
De Eros
a prisão 

Simulacro
despedaçado
Nu nos seus braços
Cronos
Diga-me,
Apolo,
a profecia de Delfos.

—Myller Mayer