domingo, 7 de outubro de 2018

Pá de cal

Ao mal que me exaure
como úlcera
O meu vazio
Urra
Amor, o temor

Dedicado
 a fiel companheira
 solidão
Nascida de todos
que passaram
Sem deixar vestígios
Afeto
Não suportaram

E de errado que sou
Confundi
Quem de amizade era
Os olhos, a paixão
Medíocre
O abismo
escarra

Pensastes mesmo?
De tolo fez-se o homem
Ingênuo?!

Os lábios que afagam
Te dilaceram
Os abraços que acolhem
Te estrangulam

As palavras são efêmeras
O sentir
Ignóbil

Ah... a vida
Amontoado de acasos
Irrisórios
Sem brio

Aceito-me
Frankenstein
desmembrado,
Remendado,
restos
mortais
Do eu

Aceito-me
 plangente,
Inapto.

Ascético
fadado aos anos
Que a terra
 sufoque
e os vermes necrófagos
 devorem

em póstuma
reguem
a semente
que não germinou.

—Myller Mayer