sábado, 1 de julho de 2017

A última


Tu és uma obra de Corradini
teus veús transparentes
Causa-me a libido da carne
Na realidade transcendental. 

Da teogonia que podes suscitar
Um ser simplório
entregas excelso a tua ternura
No vasto pântano
bestificado com as fulguras femininas
Hipocondríaco selvatico.

Tão logo 
furta-cor de teus cabelos
enaltece em meio a turba
 informar-lhe-ei:
"não deixes que a indiferença
seja teu algoz!".

Observem a cidade
és bela
afogando-se na mediocridade
social.
Pungido, levo meu âmago
ao mar
Deixo amigos e lembranças
aziago.

Fostes a última!
mantenho a mente
pachorra
Embora observa-me com sacrilégio
andrajos revestem meu coração
Demônios torpes e Anjos pueris
dicotomia lancinante

uma os olhos de infinitude
a outra o enigma, 
mistério
Quais os temores
em tua face de candura
escondes?

Não importa!
Escute esta sinfonia...
no ar
Ludwing van Beethoven
Abraço-me 

SILÊNCIO

—Myller Mayer

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