domingo, 8 de janeiro de 2023

Órfão de Anteros

Exortar
Na ausência do tempo,
exíguo,
instante 
Sensorial aroma.

Michelangelo 
o teu ventre
esculpiu,
a criação 
Contemplada dor
Pietá
não contemplou
a flor.

Aos monstros oníricos,
redenção
Cortam-se os dedos;
a língua
Guilhotina 
Redoma minha.

Lacerante
como um punhal
Telúrica.

Renegue a Medusa
Não sou Perseu!
Alma confusa
no mar Egeu.

Taça de cicuta
Sentimento na garganta
A disputa
Abraços e fatos
Beijos e desejos
Guernica
Ilusão de Caravaggio
Amor Vincit Omnia.

Digerir ao âmago
A tradução
Amar?
A negação 
O meu náufrago .

Aos seres infelizes;
ímpares
Na Ausência
os pensares
Em mim
a meia-nau.

Fustigada sensação
palavras aprisionadas
Cancioneiro é a cigarra
dilacerando os dias chuvosos
Predatória paixão;
amordaçada.

Que ao tempo regresse 
Torturados
Na areia do Saara
Cobiçados
Ampulheta e os segredos
amparados

Eu vi Copérnico
arrebatado 
Com o teu sol,
a íris 
aficionado.

Errante 
Fata Morgana
anátema.

De Anteros
a solidão 
De Eros
a prisão 

Simulacro
despedaçado
Nu nos seus braços
Cronos
Diga-me,
Apolo,
a profecia de Delfos.

—Myller Mayer




Nenhum comentário:

Postar um comentário