domingo, 22 de outubro de 2017

Insular


O externar da minha vontade
Lágrimas que escorrem na sacada
Vista tão bela.

Nas faces gélidas
Não se lembra
O que em outrora vivera
Dos abraços cálidos
Afetos verdadeiros.

A madrugada lépida
Vagam os pensamentos
Que a ninguém se mostra.

Egos, cegos
Desfilam
Narcisos.

Anjo negro
de tuas mãos inclementes
venha o suplício
(in)justo,
ao desimportante.

Na mentira de um novo amanhã
Se perde no mar
Devaneio.

Sol do resplandecer do dia
Me faz confiar
Que a luz é esperança contida,
Clemência agora.

Volta, gira e volta
Não és teu lugar
Indiferente.

Não sejas o terror de Poe
 a arma de Hemingway
Nem a solidão de Belchior.

Retorna para suas montanhas
Respire as flores
Que pulsam
Nos Campos Elísios.

Desperta, desperta !

—Myller Mayer

sábado, 1 de julho de 2017

A última


Tu és uma obra de Corradini
teus veús transparentes
Causa-me a libido da carne
Na realidade transcendental. 

Da teogonia que podes suscitar
Um ser simplório
entregas excelso a tua ternura
No vasto pântano
bestificado com as fulguras femininas
Hipocondríaco selvatico.

Tão logo 
furta-cor de teus cabelos
enaltece em meio a turba
 informar-lhe-ei:
"não deixes que a indiferença
seja teu algoz!".

Observem a cidade
és bela
afogando-se na mediocridade
social.
Pungido, levo meu âmago
ao mar
Deixo amigos e lembranças
aziago.

Fostes a última!
mantenho a mente
pachorra
Embora observa-me com sacrilégio
andrajos revestem meu coração
Demônios torpes e Anjos pueris
dicotomia lancinante

uma os olhos de infinitude
a outra o enigma, 
mistério
Quais os temores
em tua face de candura
escondes?

Não importa!
Escute esta sinfonia...
no ar
Ludwing van Beethoven
Abraço-me 

SILÊNCIO

—Myller Mayer

terça-feira, 16 de maio de 2017

Poeta Exilado


Fingi alegria na tristeza
ter amigos na solidão.

Paixão vigente
mas não correspondida
romantismo decadente.

Ter o verbo no futuro
quiçá será vivido
coração imaturo

—Myller Mayer

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Cetrina Lascívia


Enclausurado, real e o abstrato
Conheça-me com teus lábios
Atração do olhar imediato

Luxúria da carne
Acúleo dilacerante
Fenecimento, rosas  e sangue
Factual

 Não sejas "Yuki-onna"

Da sina plangente 
Desvanecendo em plena bruma  
No dissabor latente.

O elixir do desabrochar

Dominação da vicissitude
Sentirás a telúrica no corpo
Deleitar-se-á na fugacidade? 
Amar e Desamar


—Myller Mayer


sábado, 11 de março de 2017

Flama romântica

 

Peito que afaga, olhar que rechaça 
Afetos de sonata, piegas e rosas 
Dúvidas nas palavras, lábios e fumaça 

Trovão no silêncio da noite 
Rompimento do ser, em vão 
Tortura é pensar, açoite do amar 
Costurando a melancolia, ócio na alegria 

Alma cordial, 
Encanto sexual, labirinto corpóreo 
Desejo censurado, atemporal 
Balbúrdia astral 

Trovão no silêncio da noite 
Rompimento do ser, em vão 
Tortura é pensar, açoite do amar 
Costurando a melancolia, ócio na alegria 

Narcisista em um cubo de ilusão 
Encarcerado na moral, kafkiano espúrio 
Niilista existencial, negação pessimista 

— Myller Mayer 

quarta-feira, 8 de março de 2017

Miscelânea


Mistificado na dor
O comemorar entusiasmado
No bloco sem cor

 Banhar no fel, lembranças
Gerado nas trevas, pavor
Senhor das circunstâncias 

Nos quatro cantos, 
A ferida rompeu
Datas em prantos
Terra que se esqueceu

Azul na face, brilhante
Esconde o abismo
Vida, negligência, desimportante

—Myller Mayer

quarta-feira, 1 de março de 2017

Ufes


Sou calouro mineiro, da broa e do pão de queijo
Aos meus veteranos amados, respeito e dedicação 
"Trabalha e confia" Da "liberdade ainda que tardia".

Não há Ufop que resista, a UFES é só conquista
Sete Lagoas terra amada, mas Vitória é a paixão declamada
Capixabas que se preparem, mineirinho na pista

Sotaque e sua gentileza, irradiante com destreza
Direito é para poucos, só os loucos
Vamos trazer a beleza, calouros súditos da realeza (Veteranos)

Ufu e Ufmg: quem diz muito 'que é", não é
Sabemos tudo o que somos, é o canto do vencedor
Ufv e Ufvjm diz muito 'que vai', mas não vai

Vamos agora criando o futuro em nossos pés
A vida que não foi contada, apenas almejada
5 anos de desafios, calouros e corações por um fio

Eu quero aproveitar, restaurar, confiar
Morrer de medo e me levantar
Viver a calourada até cansar

Vem pra Ufes, vamos ser os campeões 
Vou acabar com a discussão, muqueca capixaba ou baiana
O vitorioso é o "Pãozimm de queij" a lá "Cê Lagoana"

Comida boa é o "Quiabo com franguim" 
Jk aprova, o nosso presidente Bossa Nova, "mineirim"
Sentirei saudades de Diamantina e seus "Butiquim"
Vou prosear agora com o "persoar," lááá bem "pertim" do mar

—Myller Mayer

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Amiúde


 Afetividade no meu céu resplandeceu 
No idealizar do amar
 Luz de minha maldade 
A consciência desapareceu

Agonizar ao nascer
No pêndulo corresponder
Nada ser
Chorar ao findar
Esbravejar para viver.

Resposta da imperfeição
Princípios de minha utopia
Fugacidade na flor da tempestade
Usuras do coração.

Agonizar ao nascer
No pêndulo corresponder
Nada ser
Chorar ao findar
Esbravejar para viver.

Ser criança e solidão 
Dançarina e seus espinhos
Miragem e contemplação
Segredos e devaneios.

Agonizar ao nascer
No pêndulo corresponder
Nada ser
Chorar ao findar
Esbravejar para viver.

—Myller Mayer

terça-feira, 1 de novembro de 2016

A Dicotomia do Coração



Crença no infinito, lábios em atrito
Na eterna 'Guernica", conflito, razão e emoção
Chamas da paixão, curvas da redenção
Respirando o sentimento, amando o firmamento
Amante do tempo, namorado do pecado.

Amor pagão, desejo cristão
Sou anjo, sou demônio
 Do promíscuo a santidade.

Encontro no prazer, motivo para viver
Boca nua, o sol e a lua, minha e tua
Pupila a dilatar, você a se aproximar
 Louca química, atraindo e reagindo 
Olhar vulgar, prende, atiça e conquista

Amor pagão, desejo cristão
Sou anjo, sou demônio
 Do promíscuo a santidade.

Quero todos os teus abraços
Quero todos os seus beijos
Quero ser entrelaçado
Pelo seu devaneio.

Amor pagão, desejo cristão
Sou anjo, sou demônio
 Do promíscuo a santidade.

—Myller Mayer





segunda-feira, 2 de maio de 2016

A Cura e o Pecado



Lá no fogo da esperança
Afrodite, nos meus sonhos se lança
Instaura a dúvida, desatina a lembrança
Sublime beleza, os meus olhos dançam. 

Inexplicável desejo, do fruto do beijo
Necessários anseios, para curar meu receio
Esperar por amar, tudo arriscar
Singela emoção, para está no seu coração.

—Myller Mayer

sexta-feira, 25 de março de 2016

Espinho Indomável



Olhar perdido, na escuridão do abismo
 Mendigo, não pede esmola, só afeto
Neste mundo ermo, sentimentos incertos.

Visão das "Curvas de Bézier," imaginações nuas
No corpo de 'Vênus," Botticelli transcende 
Tudo se aglutina, na minha rosa
Moça, tosca
Amada, formosa.

Brincando de expressar
 Verdades ocultas
Ladrilhos da paixão, quanta incompreensão
Quem luta para ter, nunca tem
Emoção vendida, artista.

 Jardim da vida
O sol e o ciúmes
 Insanidade contida 
A lua e as estrelas
 Tudo se finda.

Se és a Colombina
Não sou Arlequim
Quiçá Pierrot

Fantasia, escape da realidade
Poesia, tesão da vaidade
Amor, amigo da futilidade

Animal ardil 
Selvagem, hostil
Ruge, é sutil.

—Myller Mayer

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Tempo Escasso



Encontra-se na multidão, vazio e desolação
Ódio, incompreensão, vivendo em total harmonia
Andas o coração, em busca da companhia
Sangra, sangra, torturante.

Cansado de sair à procura
Quer se encontrar, na mentira amarga do olhar
Na boca do medo escarrar, lacerar  às vísceras da ilusão
Fazendo seu "Concílio de Niceia" intrínseco 
A o perdão, mesuras da ingratidão
Sangra, sangra, torturante.

Fragrância das flores mortas
Cadáveres absortos no ácido da maldade
Vociferas, na súplica incessante de ser ouvido
Abusas da condolência de outrora
Os poetas amargos, corroídos de dor, clemência agora
Sangra, sangra, torturante.

Vida banal, ditador marginal encara o mundo infernal
Só, na cadeira elétrica da vida imperial
Os últimos suspiros, a mente se liberta
A existência findou, sombra ceifou 
Vida, vida, torturante.

—Myller Mayer