sábado, 21 de abril de 2018

Alta Madrugada



Caminhastes na Rua
Insegurança com a Av. Atração
Sol de outono
Álgido
Dentro e fora
Folhas secas
 amar

 Esotéricas
Vermelhas
Démodé
Aprisionado
no tempo

Esfinge
Coração desmedido
Decifra-me
Ou te devoro
inexplorável

Suportastes
Não conhecer
o Indigente?

Que é Bardo
Na madrugada
branda

Entre trovões e raios
O Bruxo
Me chama
E se vai
velho

Ah!
Meus amores
De Poetinha
Morrem
sem nascer

Nenhum desejo
De vida
de óbito

Suspirou em pranto
o mesmo dia
sempre.

—Myller Mayer

sábado, 14 de abril de 2018

Fios



Deixe-me riscar
a paisagem
com histórias

Ligando cada
vida
ao coração
que pulsa
saudades.

—Myller Mayer

terça-feira, 3 de abril de 2018

Dignos



Representa-te
Apresenta-me

Partes do eu
Boêmio
Ardente

Artífice
Da simpatia

Minha estima
Energia
Mútua

Faço
Análises
Meritórias

Transborda-me
Amizade

Afoga-te
Solidão
De vinho

Confia
Olhar
De criança

Ama
Poeta
Palavras

Laxo
Esquece-me
Os laços

Da caixa
Velha
De pintura
Renovada

—Myller Mayer

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Quem morre?



Ele não reconhece
turvo
 pura ilusão

Pulsante desejo
Consciente
De sangue
 amigo

Monótono
Apático
Um fim

Sempre em dor
Angústia
Nada mudou

Mate quem já morreu
Em vida
Extermina
Carcaça

Sem desespero
Nem alegria
Insensível

Suicídio
Digno
Ao ser
De versos
Perdidos

O nada.
que és
inalterado

—Myller Mayer

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Immer im Gedächtnis

 


Eis as crianças
Mutiladas
As mulheres
Violentadas
 Homens ceifados

Auschwitz, Treblika
Tormento e flagelo
Brado velado
Atroz

Discursos
Tirânicos
Mãos e sangue
Punhos erguidos
Esculpidos

Quem são os heróis?
Azul, branco e vermelho
Le vin
 transborda
Cálice
Зима
Lamina fria

Balança do sofrimento
Ordens, ordens
Banalidade do mal

O direito e a força
Positivado
Arbitrariamente
Cravado

Escutem meu Pranto
Lúgubre
Vingança
Fenecimento

Fuzilem!
Tão nobre
Meu tribunal
Enforquem
Joguem ao mar.

—Myller Mayer

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Alstroeméria



Personificação de Hator
Seus olhos de esmeralda
Conjunção do amor e da beleza
Flor-de-grinalda
Corpo e mente
Afrodite.

Equilíbrio!
 Fascinante destreza
Deusa Thémis
Lábios e faíscas
Lamina da justiça.

És
Luz que irradia
Sobre egos
Cegos.

É pulsar!
Nem gelo, nem pedra
Suportam
Coração
Na sua enormidade.

Dançarina e sua arte
Envolvente
Do “Nascimento De Vênus”
De “La Pudicizia Velata”
No mistério
que
Corradini e Botticelli
Não transcendem.

Miscelânea de bons afetos
Sonetos
Acolhe, abraça
Harmonia de sonata
Eros e Psiquê.

Embora perdido
Meu Norte
Seus passos
 Suaves.


—Myller Mayer

domingo, 22 de outubro de 2017

Insular


O externar da minha vontade
Lágrimas que escorrem na sacada
Vista tão bela.

Nas faces gélidas
Não se lembra
O que em outrora vivera
Dos abraços cálidos
Afetos verdadeiros.

A madrugada lépida
Vagam os pensamentos
Que a ninguém se mostra.

Egos, cegos
Desfilam
Narcisos.

Anjo negro
de tuas mãos inclementes
venha o suplício
(in)justo,
ao desimportante.

Na mentira de um novo amanhã
Se perde no mar
Devaneio.

Sol do resplandecer do dia
Me faz confiar
Que a luz é esperança contida,
Clemência agora.

Volta, gira e volta
Não és teu lugar
Indiferente.

Não sejas o terror de Poe
 a arma de Hemingway
Nem a solidão de Belchior.

Retorna para suas montanhas
Respire as flores
Que pulsam
Nos Campos Elísios.

Desperta, desperta !

—Myller Mayer

sábado, 1 de julho de 2017

A última


Tu és uma obra de Corradini
teus veús transparentes
Causa-me a libido da carne
Na realidade transcendental. 

Da teogonia que podes suscitar
Um ser simplório
entregas excelso a tua ternura
No vasto pântano
bestificado com as fulguras femininas
Hipocondríaco selvatico.

Tão logo 
furta-cor de teus cabelos
enaltece em meio a turba
 informar-lhe-ei:
"não deixes que a indiferença
seja teu algoz!".

Observem a cidade
és bela
afogando-se na mediocridade
social.
Pungido, levo meu âmago
ao mar
Deixo amigos e lembranças
aziago.

Fostes a última!
mantenho a mente
pachorra
Embora observa-me com sacrilégio
andrajos revestem meu coração
Demônios torpes e Anjos pueris
dicotomia lancinante

uma os olhos de infinitude
a outra o enigma, 
mistério
Quais os temores
em tua face de candura
escondes?

Não importa!
Escute esta sinfonia...
no ar
Ludwing van Beethoven
Abraço-me 

SILÊNCIO

—Myller Mayer

terça-feira, 16 de maio de 2017

Poeta Exilado


Fingi alegria na tristeza
ter amigos na solidão.

Paixão vigente
mas não correspondida
romantismo decadente.

Ter o verbo no futuro
quiçá será vivido
coração imaturo

—Myller Mayer

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Cetrina Lascívia


Enclausurado, real e o abstrato
Conheça-me com teus lábios
Atração do olhar imediato

Luxúria da carne
Acúleo dilacerante
Fenecimento, rosas  e sangue
Factual

 Não sejas "Yuki-onna"

Da sina plangente 
Desvanecendo em plena bruma  
No dissabor latente.

O elixir do desabrochar

Dominação da vicissitude
Sentirás a telúrica no corpo
Deleitar-se-á na fugacidade? 
Amar e Desamar


—Myller Mayer


sábado, 11 de março de 2017

Flama romântica

 

Peito que afaga, olhar que rechaça 
Afetos de sonata, piegas e rosas 
Dúvidas nas palavras, lábios e fumaça 

Trovão no silêncio da noite 
Rompimento do ser, em vão 
Tortura é pensar, açoite do amar 
Costurando a melancolia, ócio na alegria 

Alma cordial, 
Encanto sexual, labirinto corpóreo 
Desejo censurado, atemporal 
Balbúrdia astral 

Trovão no silêncio da noite 
Rompimento do ser, em vão 
Tortura é pensar, açoite do amar 
Costurando a melancolia, ócio na alegria 

Narcisista em um cubo de ilusão 
Encarcerado na moral, kafkiano espúrio 
Niilista existencial, negação pessimista 

— Myller Mayer 

quarta-feira, 8 de março de 2017

Miscelânea


Mistificado na dor
O comemorar entusiasmado
No bloco sem cor

 Banhar no fel, lembranças
Gerado nas trevas, pavor
Senhor das circunstâncias 

Nos quatro cantos, 
A ferida rompeu
Datas em prantos
Terra que se esqueceu

Azul na face, brilhante
Esconde o abismo
Vida, negligência, desimportante

—Myller Mayer