terça-feira, 6 de novembro de 2018

Quiproquó


 O teu muito
É pouco
O tempo
alegria

Um sopro
Abraço
 frouxo

Suas lágrimas
em minhas vestes
descartável
Fervor

Bradando
Para ficar em paz
Escondo a aflição
 te escuto
Me doo

Um curativo
na sua ferida
irrisório
a pretensão

Não mergulho
 no raso
que
me deixastes
Na guerra
me abonastes

afinal
o teu discurso
não condiz
falas não são fatos!

Mereço mais
Que
Um verso torto
Uma palavra torta
Um poema morto

A tua recíproca
É uma sala vazia
De empatia
Que acaba
De se enforcar

Agora
calo-me
Não me arrependo
Vou-me embora...

—Myller Mayer

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