segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Serenata alquimista

Quem tu és?
Atrás do véu
De teu sorriso
Encantador
Dor?

Só marinheiros sentem
Afogados
Na melodia
inebriante

Quem és tu?
Sereia ou Deusa?
Não importa
Só quero o encanto
Dos teus olhos
com os meus

Abre-te
Em carne nua
Exposta ao sol
na batida
do carnaval

Mostra-te o âmago
Desprotegido
machucado
Tantas vezes mal tratado
Relegado

Quem tu és?
Coração e  mente
Dionísio e Afrodite
Pureza e  pecado
Amor e solidão
inquietude e compaixão

Ladeira escura
calçada de segredos
chega ao fim
a madrugada

—Myller Mayer

domingo, 20 de outubro de 2019

Oráculo de Delfos

 

Eis-me aqui
Na alquimia reflexiva
Entre às entranhas do cordeiro
hermético
Responda-me
Proféticos

Relicários de ilusão
Entre às colunas
Sangue
Enxofre

Apollo
Assassinara
Píton,
sem respostas
a indagação

Intoxicado,
por Gaia
 renegado,
por Hera
amaldiçoado

Diga-me
 minha sina
 destino dos depravados

o castigo
dos infiéis
desgraçados

Consola-me
Hígia
envenenado

das serpentes
transitórias
oníricas

Sou alma
de Asfódelos

Caronte,
nobre amigo
Navegante
das
perenes águas
 em Cócito

Lamento de vida
Um sopro
irrelevante
o exício

—Myller Mayer

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Luminol

Grilhões
 Entre os campos
algodão
Entoando o medo
Perícia forense
Vestígios
Luz negra

Madrugada
Temperatura ambiente
Mais um herdeiro
De Maria
Chão quente
Hoje das Graças
Sala fria
IML

Amanhã do Socorro
Maria, não tem paz
Tem aborto
Filho criado
Luminescência

Sois pecadores
Na terra
Bestial
De Padim Ciço
Carrancas
o Velho Chico

Bala perdida
Encontra
Pivete sem registro
Execução fiscal
Negativa do afeto
Asfixia estatal
Periferia
 dialeto
Toxicidade canibal

Gotas de orvalho
Regam às flores
o corpo
a tampa
o
sepulcro.


—Myller Mayer 


sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Café Soçaite

T           B           P
     O           R          U
   R           A           E
        P           D          R
  E           O           I

     Reconheço a perda, a colheitA
          Aroma    Grãos, triturados na gargantA
    Vapor             Sem filtro, shots, sem açúcaR
           O tom       Um Bule qualquer, morenA
                             Vazio no peito, amargO
                              Esfriou, o café, amoR 
                            Tudo em frentE
                            Uma xícarA
                           e só

—Myller Mayer


terça-feira, 6 de novembro de 2018

Poesia Censurada


 Em meu peito
 habita
Dinato
Acorrentado
Insaciável

Imerso na ambição
Embriaga-se
Recusando amor

A mentira humana
Sussurra a voz
Dispersando vitalidade

O prelúdio
Na ópera
Falecida

Harmoniza
Fermenta
 Barril de carvalho
Reservando
Os dias

Decifra-me
  códigos
Pressente
O êxtase
Pulsação

Paralisai-vos
Estilhaços no carpete
Sanpaku
A recusa dos batimentos
O sol poente
Ela vem

Inebriante
Com teu lábio
Carmim
Vestido preto

Em uma mão a rosa
Quase solitária
Na outra
A adaga

Encerras
O último ato
Com luz
Lamento, aplausos
E vaias.

—Myller Mayer

Quiproquó


 O teu muito
É pouco
O tempo
alegria

Um sopro
Abraço
 frouxo

Suas lágrimas
em minhas vestes
descartável
Fervor

Bradando
Para ficar em paz
Escondo a aflição
 te escuto
Me doo

Um curativo
na sua ferida
irrisório
a pretensão

Não mergulho
 no raso
que
me deixastes
Na guerra
me abonastes

afinal
o teu discurso
não condiz
falas não são fatos!

Mereço mais
Que
Um verso torto
Uma palavra torta
Um poema morto

A tua recíproca
É uma sala vazia
De empatia
Que acaba
De se enforcar

Agora
calo-me
Não me arrependo
Vou-me embora...

—Myller Mayer

domingo, 7 de outubro de 2018

Pá de cal

Ao mal que me exaure
como úlcera
O meu vazio
Urra
Amor, o temor

Dedicado
 a fiel companheira
 solidão
Nascida de todos
que passaram
Sem deixar vestígios
Afeto
Não suportaram

E de errado que sou
Confundi
Quem de amizade era
Os olhos, a paixão
Medíocre
O abismo
escarra

Pensastes mesmo?
De tolo fez-se o homem
Ingênuo?!

Os lábios que afagam
Te dilaceram
Os abraços que acolhem
Te estrangulam

As palavras são efêmeras
O sentir
Ignóbil

Ah... a vida
Amontoado de acasos
Irrisórios
Sem brio

Aceito-me
Frankenstein
desmembrado,
Remendado,
restos
mortais
Do eu

Aceito-me
 plangente,
Inapto.

Ascético
fadado aos anos
Que a terra
 sufoque
e os vermes necrófagos
 devorem

em póstuma
reguem
a semente
que não germinou.

—Myller Mayer

domingo, 2 de setembro de 2018

Pintura do Tempo


Da mancha no papel
Se fez frio o meu café
Inquietude e desalento
Se fez em vento
O pensamento.

De pachorra meu suplício
Se faz a tua moldura
Arcada dentaria
Se faz o gesso
A criatura.

 Eis que
 Retorna o filho pródigo
Para Rembrandt
a cova rasa.

Eis a genialidade
Vincent van Gogh
Feita de cabelos
No leito de morte
Anos a fio.

Fez
 Florbela Espanca
36 vezes ensanguentada
Nos sonetos
Foi amada.

Fez
Poetisa marginal
O seu corpo se lançar
7 versos
No finito.

Goste ou não
Torquato sentiu
O sentir?
Asfixiado
No peito.

Hoje
Quem será?
Quiçá,
seja
EU.

—Myller Mayer

sábado, 1 de setembro de 2018

Desinencial



(Eu) tomo arte

(Eu) como vida

(Eu) vivo tarde

(Eu) morro cedo

(Sou) despedida

(Sou) ilusão
 partida

(Sou)

sem

ser

Sujeito.

—Myller Mayer

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

5 pétalas


Tu que és jardim
Dominado
Em amor
Vermelho
A rosa

A tua voz
Liberte
Como pólen
No ar

A dor
 Passado
Germine
Encanto
Incinere as sementes
 Rosa laranja

 Teu olhar
De fulguras
Inebriantes
 Vento, a brisa
O caminho das flores

Macabéa
Não és tu
"A hora da estrela"
É o sempre
"As duas Fridas"
E Clarice
1 só mulher
O sol

Inteligência
Cataclisma
Boca e mel
Vibrante

Arraste teus véus
"Lady Of Shalott"
Esculpida
Benjamin Victor
Imaculado âmago
Não entregas

Venha 
que regarei
tuas flores
com amizade e ternura

Venha 
que resisto
aos teus espinhos
com abraços

Venha
que o teu coração
não estás só.

—Myller Mayer

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Sonoridade


A voz que ecoa
Mesma sintonia
Meu coração FM
O teu olhar AM

Escravo de palavras
Boêmio ator
O ritmo
Amor

Radionovela
Da emoção
Em dó!

—Myller Mayer