sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Café Soçaite

T           B           P
     O           R          U
   R           A           E
        P           D          R
  E           O           I

     Reconheço a perda, a colheitA
          Aroma    Grãos, triturados na gargantA
    Vapor             Sem filtro, shots, sem açúcaR
           O tom       Um Bule qualquer, morenA
                             Vazio no peito, amargO
                              Esfriou, o café, amoR 
                            Tudo em frentE
                            Uma xícarA
                           e só

—Myller Mayer


terça-feira, 6 de novembro de 2018

Poesia Censurada


 Em meu peito
 habita
Dinato
Acorrentado
Insaciável

Imerso na ambição
Embriaga-se
Recusando amor

A mentira humana
Sussurra a voz
Dispersando vitalidade

O prelúdio
Na ópera
Falecida

Harmoniza
Fermenta
 Barril de carvalho
Reservando
Os dias

Decifra-me
  códigos
Pressente
O êxtase
Pulsação

Paralisai-vos
Estilhaços no carpete
Sanpaku
A recusa dos batimentos
O sol poente
Ela vem

Inebriante
Com teu lábio
Carmim
Vestido preto

Em uma mão a rosa
Quase solitária
Na outra
A adaga

Encerras
O último ato
Com luz
Lamento, aplausos
E vaias.

—Myller Mayer

Quiproquó


 O teu muito
É pouco
O tempo
alegria

Um sopro
Abraço
 frouxo

Suas lágrimas
em minhas vestes
descartável
Fervor

Bradando
Para ficar em paz
Escondo a aflição
 te escuto
Me doo

Um curativo
na sua ferida
irrisório
a pretensão

Não mergulho
 no raso
que
me deixastes
Na guerra
me abonastes

afinal
o teu discurso
não condiz
falas não são fatos!

Mereço mais
Que
Um verso torto
Uma palavra torta
Um poema morto

A tua recíproca
É uma sala vazia
De empatia
Que acaba
De se enforcar

Agora
calo-me
Não me arrependo
Vou-me embora...

—Myller Mayer

domingo, 7 de outubro de 2018

Pá de cal

Ao mal que me exaure
como úlcera
O meu vazio
Urra
Amor, o temor

Dedicado
 a fiel companheira
 solidão
Nascida de todos
que passaram
Sem deixar vestígios
Afeto
Não suportaram

E de errado que sou
Confundi
Quem de amizade era
Os olhos, a paixão
Medíocre
O abismo
escarra

Pensastes mesmo?
De tolo fez-se o homem
Ingênuo?!

Os lábios que afagam
Te dilaceram
Os abraços que acolhem
Te estrangulam

As palavras são efêmeras
O sentir
Ignóbil

Ah... a vida
Amontoado de acasos
Irrisórios
Sem brio

Aceito-me
Frankenstein
desmembrado,
Remendado,
restos
mortais
Do eu

Aceito-me
 plangente,
Inapto.

Ascético
fadado aos anos
Que a terra
 sufoque
e os vermes necrófagos
 devorem

em póstuma
reguem
a semente
que não germinou.

—Myller Mayer

domingo, 2 de setembro de 2018

Pintura do Tempo


Da mancha no papel
Se fez frio o meu café
Inquietude e desalento
Se fez em vento
O pensamento.

De pachorra meu suplício
Se faz a tua moldura
Arcada dentaria
Se faz o gesso
A criatura.

 Eis que
 Retorna o filho pródigo
Para Rembrandt
a cova rasa.

Eis a genialidade
Vincent van Gogh
Feita de cabelos
No leito de morte
Anos a fio.

Fez
 Florbela Espanca
36 vezes ensanguentada
Nos sonetos
Foi amada.

Fez
Poetisa marginal
O seu corpo se lançar
7 versos
No finito.

Goste ou não
Torquato sentiu
O sentir?
Asfixiado
No peito.

Hoje
Quem será?
Quiçá,
seja
EU.

—Myller Mayer

sábado, 1 de setembro de 2018

Desinencial



(Eu) tomo arte

(Eu) como vida

(Eu) vivo tarde

(Eu) morro cedo

(Sou) despedida

(Sou) ilusão
 partida

(Sou)

sem

ser

Sujeito.

—Myller Mayer

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

5 pétalas


Tu que és jardim
Dominado
Em amor
Vermelho
A rosa

A tua voz
Liberte
Como pólen
No ar

A dor
 Passado
Germine
Encanto
Incinere as sementes
 Rosa laranja

 Teu olhar
De fulguras
Inebriantes
 Vento, a brisa
O caminho das flores

Macabéa
Não és tu
"A hora da estrela"
É o sempre
"As duas Fridas"
E Clarice
1 só mulher
O sol

Inteligência
Cataclisma
Boca e mel
Vibrante

Arraste teus véus
"Lady Of Shalott"
Esculpida
Benjamin Victor
Imaculado âmago
Não entregas

Venha 
que regarei
tuas flores
com amizade e ternura

Venha 
que resisto
aos teus espinhos
com abraços

Venha
que o teu coração
não estás só.

—Myller Mayer

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Sonoridade


A voz que ecoa
Mesma sintonia
Meu coração FM
O teu olhar AM

Escravo de palavras
Boêmio ator
O ritmo
Amor

Radionovela
Da emoção
Em dó!

—Myller Mayer

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Amanhã de madrugada

 

Equilibrai-vos!
De bêbado se fez sóbrio
No sopro
Prantos regam suas flores

Poda às asas da esperança
Agonizante buscar
Indagai-vos!
Cretinos

Abismo onde tu escarnas
Covarde
O cavalo ensanguentado
covarde
Meu grito brando
Engasgado

Pegue a fumaça
Ela é tua,
Paranoico
Em queda livre

Amai, ausência
O pai
Só mais uma noite
Eu imploro

Profanas os velhos
Em dor
Naufraga-me!
Agonia
Em esperas e planos
Infindáveis
Sem medo

Acaba
 Suspense, nem drama
Retira
Terminou

Não peço demissão
Pedro Nava
Que me desculpe
Poeira de estrelas
É o que sou.

—Myller Mayer

segunda-feira, 25 de junho de 2018

XX


Refletia a luz
Na retina,
Não saberias ele
Da inversão
Vindoura

Malícia
pudor,
Falta-lhe

Rabiscos
Parede
Desfruta-se

Afeto
Companhia
Abraços

Vento
Soprava
No entreter-se
Do orvalho

O início
Sereno
Dos pés
No asfalto
Enlevo
Estabacar e erguer-se

chegasteS
tempestade sórdidA
saudosista que éS
de fracO
se feZ

em razãO
sufocastes sem vivenciaR
amor ou paixãO

entendA
decisões equivocadaS
coagulam, a dor em sanguE

justiça, igualdadE
para que quereS?!
simplóriA

 existencialista, sentimentalistA
pedaço esquecidO
dos versoS,
em memóriA

perspectivas, o quartO
amputado, anestesiadO
retirai-me às córneaS
deixai o fígado e a bíliS
incendeia o âmagO,
de vazio ao pó se tornA.

idealizar
não é criar
obviedade
intransponível
revel

a flor
despedaçada
lembra-te

incompreendido
frágil
despreparado

o pulsar enérgico
torna-se
geleira em pranto

solitude
do filho único
solidão
fio da meada

intervenção cultural
seu lugar
no palco
protagonista
monólogo
surdos e mudos



—Myller Mayer